domingo, 23 de dezembro de 2012

O Viajante Encarcerado

Vivi milhares de vidas,
Conheci milhares de credos, rostos e cores...
Chorei centenas de dores,
Senti milhões de cheiros, temores e amores...

Vivi diversas vidas, em vários mundos,
Dimensões e universos...
Observei vários espelhos,
Cada um com uma imagem diferente...

E mesmo com tanto, tenho tão pouco...
A cada dia que se passa em lugares distantes perco os que estão perto,
Cada caçada bem feita me leva um sorriso, um abraço...
A cada sonho perco mais a realidade...

Criei mundos, conheci os mais variados tipos de degenerados...
Aprendi sobre artrópodes e minúsculos mecanismos de defesa,
Descobri que o dia e a noite são completamente diferentes,
E me esqueci de passar um tempo com quem já se foi...

Fujo, persigo lendas, vejo maravilhas que vivem apenas na imaginação,
E perco meus amados enquanto vago sem sair da minha prisão...
Perco as chances únicas por estar tão absorto a ponto de não ver ao meu redor,
Sobrevivo de mentiras, cada vez mais só...

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