terça-feira, 31 de julho de 2012

Haunted

  Aquela sensação recorrente de pressão tomava conta do peito do rapaz...
  Nada povoava a mente dele a não ser as lembranças de fatos a muito apagados na bruma do tempo e, ainda assim na escuridão daquele quarto, lágrimas escorriam por sua face. A melancolia era tanta que se tornava palpável, uma aura escura e pastosa que emanava do coração do garoto agravada pelos soluços escassos porém, de certa forma, constantes que escapavam daqueles lábios enrugados e curvados.
  O peso em seus ombros, causado pela saudade de tempos que não voltariam, era insuportável. Ele recordava do tempo gasto em sua companhia, dos sorrisos compartilhados, dos olhares significativos e acima de tudo de sua presença... Mas isso tinha acabado, agora ele estava só, sozinho e mal-acompanhado.
  A porta do quarto se entreabre vagarosamente, libertando momentaneamente o garoto de seu transe, abrindo caminho para que um pequeno fio de luz amarela e empoeirada adentrasse a solidão, juntamente com aquela voz tímida e em tom de desculpas.
  - Você não pode ficar assim pra sempre- uma pausa para que o jovem respondesse e, como não houve uma resposta, a voz continuou -...vamos lá, converse comigo, o que há entre nós agora? Qual o problema?
  Não que a voz deixasse de tocar o coração do rapaz mas, a simples presença daquela pessoa ali estava errada, o tempo de conversas teria terminado, não havia muito o que falar... No fundo a vontade dele era apagar o passado e escancarar aquela porta, para que as coisas voltassem a ser exatamente como um dia tinham sido, mas estava além do alcance dele... Várias coisas já haviam mudado e não teriam volta, o passado não muda.
  -Não faz assim, fala comigo, por favor! -veio a voz, agora em tom suplicante do outro lado da porta.-para com isso, você não é assim, ambos sabemos disso!
  A confusão em seu interior atinge seu ápice, ele sente lágrimas quentes descendo novamente por sua face, as lembranças voltam ainda mais vívidas que antes, agora misturadas com o profundo e estranho sentimento que ele ainda nutria em seu âmago. E, em meio a esse vórtice emocional o garoto se dirige em passos vacilantes até a porta entreaberta, espiando o pequeno vão ele encontra o que procura...
  Aqueles pequenos olhos escuros, que significam tanto pra ele lá estão e, novamente eles se encaram, um último olhar significativo dado entre a fresta de uma porta. Ele percebe os pequenos lábios se curvarem e algo muda no brilho do olhar dela...
  Ele fecha a porta e se recosta sobre ela, percebendo os pequenos soluços quase inaudíveis do outro lado seguido dos passos rápidos dela se afastando... Tudo havia acabado, toda a conversa que ela esperava havia acontecido em um só olhar, ele estava sozinho de novo... Sozinho e mal-acompanhado, assim ela podia seguir sua vida em paz...
  E as memórias voltavam...

E se...?

Pequenas coisas mudassem?
Aquele dia você tivesse ficado em casa,
Ou houvesse algo mais importante pra fazer?
Se a festa tivesse durado um pouco mais,
Ou se tivesse sido grosseiro com aquela pessoa em especial?

Será que a vida teria tomado esse rumo?
Se as imperfeições não tivessem se agravado,
Ou não houvessem me mudado...
Será que seria assim hoje?
Os vetores convergiriam para este exato diagrama?

Será mesmo que o sentimento é algo próprio,
E não imposto para nós?
E o livre arbítrio existe?
Perguntas, que provavelmente nunca serão respondidas.
Questões que põem a própria sanidade em questão.

Maneiras de se esconder,
Rotas de fuga da realidade traçadas por uma mente inquieta,
Meu meio de negar a atual sitação,
Desculpe-me.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

For distant shores...

Me sinto vivo em momentos assim,
Viajando por terras distantes,
Entre as marés do desconhecido...

E com o calor ao meu lado,
Derretendo no meu peito e me fazendo feliz,
Talvez eu seja um bobo, mas nunca disse ser um sábio...

Apesar de todos os avisos não consigo evitar isso,
Não que seja apenas por solidão,
Nem por mera conveniência...

Existe algo mais,
Algo dentro de mim,
Que faz com que seja desta forma.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Silêncio, preciso falar...

A solidão é meu refúgio,
Por vezes penso dessa forma,
Talvez ao reaver o status quo de minha concepção eu me aproxime mais da verdade,
Preciso de conseguir uma maneira de passar sozinho,
Sobreviver sozinho no meio de tanta gente...

Pode parecer estranho e deprimente mas, de certa forma me consola,
Estamos sozinhos no meio das máscaras, usando uma delas ou não,
Talvez o escuro me atraia, essa possibilidade ainda não pode ser ignorada,
Viver sozinho em um mundo pequeno, lugúbre e só meu...
Creio que esse seria o Éden.

Ainda assim existem certos elos que preciso romper;
Primeiro o animal, somos seres sociais, a natureza nos impele para o grupo,
Depois o emocional, não há sentido em sentir sozinho,
Após isso meu ego, na solidão não há nenhum seguidor senão mim mesmo,
E talvez depois desses três passos eu consiga a paz...

Não vejo saída mais satisfatória que essa,
É um caminho árduo que eu gostaria de trilhar,
Mas o calor humano me atrái, meu vazio é grande demais...
A necessidade de conforto e consolo é enorme, mesmo que não seja facilmente suprida,
É o costume, a primeira barreira que enfrento...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sad, but true...

Então abrace a tristeza,
Encontre a escuridão
E verás, a luz das estrelas
Que brilham em mim,
E em você...
Reze pela dor,
E talvez um dia ela virá, se tiveres sorte...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Still a bunch of lies

Embrace the stars
Make the light flow within your flesh
Show your inside

Hatred and mistaken
Burden by humanity
Forsaken mind golem

Don't be afraid,
Your soul claim for it
So make it, ten times higher

And scream,
Scream for the light
Holy avenger

Compulsivo

Feito pra continuar
Misto perdido e encontrado de sensações
Enrraigado nisso,

Feito isso pra isso assim, assim, assim, assim...
Confuso?
Não, emocional

Agora e depois
Hoje e sempre
Para sempre

O jeito de desfarçar o vazio
Causando mais vazio
E o tédio

Obscuro e vicioso
Lambendo a superfície da loucura
E continuando assim, assim, assim, assim...

sábado, 14 de julho de 2012

Firefly

Even in the deepest darkness,
For those who have a heart,
There will be a spark of life,
An guiding light,
The hope leading a way,
A firefly.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nu na tempestade

Sólido vazio, por que você está comigo novamente?
Suas lágrimas batem na minha pele em forma de palavras,
Verbos mal conjugados jogados ao vento,
Axiomas feitos para machucar,

E o que acontece em volta de mim?
Estou no olho do furacão...
A saída nem sempre é fácil,
E as escolhas são restritas.

Mostre para mim uma maneira,
Não me deixe no meio dos escrotos,
Nem morimbundo diante terra firme,
Desate esse nó do meu peito...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Do Eu ao Breu

O que era bom fica tosco,
O que era muito se torna pouco,

Um passo de cada vez dando as vezes dois, ou três,
Voltando ao primeiro para descansar,
E talvez fumar,

Fumar luz e poesia,
Aspirar toda aquela harmonia
Pelas cordas do instrumento
Nas vibrações do pensamento

E tudo isso vem de cima ou de dentro,
Da fonte do momento,
Do ser eterno e supremo.

Eu, eu por mim
Você pra mim
Todos nós juntos

Esperando a esperança prometida,
Mas ainda assim sonhando em mudar,
Dando o segundo passo em ânsia de descansar...

E quando tudo acabar?
Vou apenas minguar
Minguar e murchar e adormecer
Para sempre nos corações dos que crêem

E no sangue dos meus,
Frutos cálidos, minha criação,
Meu amor, minha esperança
Que como deixaram pra mim, eu os deixarei quando partir.

"E o que sobra é o amor"...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Vivo em meio ao carnaval

Loucura indistinta,
Vivo em meio a este frenesi de cores, credos, paixões,
Voyeur e suas janelas,
Mil e um rostos e uma única voz.

Como uma tartaruga dentro de sua concha,
Desabrochando feito rosa no verão,
O amor se desloca por meio dessa ilusão,
Dilacerando a grande massa de autopiedade...

Faço como fiz e como sempre seguirei a fazer,
Mostro meus dentes e emborco um beijo;
Bebo do calice doce-amargo,
Não entendo o que se passa entre estes lindos olhos embargados.

Se sou sol ou sou chuva,
A vida continua sendo apenas uma,
De versos tristes e sorrisos rápidos,
A acenos amargos e beijos demorados.

O monstro enfim se despede,
Desejando alegria e liberdade a todos aqueles que o seguem.